quarta-feira, 19 agosto 26

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O homem anti-fragil.

Homem Anti-Frágil

Para um curioso livreiro como eu, não é possível ouvir falar de um livro sem ser provocado a conhecê-lo. Seguindo minha deficiência de autodidata libertário, encontrei recentemente Nassim Nicholas Taleb, com sua obra Antifrágil: coisas que se beneficiam com o caos.

Quem é da área sabe: uma leitura leva a outra, e logo estamos construindo nossa árvore genealógica do conhecimento, cheia de rotatórias e labirintos. Felizmente, aprendi a tempo a seguir mestres e mentores que me ajudam a sair dessas encruzilhadas intelectuais.

Mas o ponto aqui é outro: como formar um ser humano dentro do conceito de antifragilidade? Quais as inúmeras fragilidades de “fabricação” que adquirimos ao longo da vida?

Fragilidades humanas na teia social

Não entro no aspecto biológico ou físico. Meu olhar está voltado à teia social e à condução da vida pessoal em meio ao coletivo.

O desafio é atual: como escapar — ou ao menos conter a onda de notícias falsas, vídeos manipulados e conhecimentos fáceis, sem verificação, que circulam na velocidade alucinante do cotidiano?
O que é verdadeiro e autêntico e o que é apenas ficção e mentira?

Carregamos uma falha de fabricação: não temos mecanismos internos sólidos para conter mentiras e narrativas falsas. Desde cedo, não treinamos nossos filhos a identificar falsidades. Raramente, em nossas mesas, comentamos sobre as mentiras ditas por pessoas ao nosso redor. Resultado: as crianças acreditam em quase tudo que lhes chega.

Fé, dúvida e fragilidade

A arte da dúvida, do ceticismo e do pragmatismo não costuma ser cultivada no mundo cristão. As escolas dominicais repetem a história de Abraão, que não questionou o chamado divino nem mesmo a ordem de sacrificar o filho. Ensina-se às crianças a “escutar o chamado” e a obedecer aos sinais.

Mas sabemos: fé sem dúvida é seita. A verdadeira fé aceita a dúvida e cresce com ela. Ainda assim, o mundo religioso busca “homens-bomba” espirituais pessoas de fé inabalável, que acreditam em milagres sem espaço para hesitação. Eis uma fragilidade.

Lições da natureza

Ao ler Taleb, percebi que sua análise expõe fragilidades que comprometem. A natureza — ou melhor, o fluxo da vida — obedece a leis básicas que operam fractalmente em todos os níveis.

Os animais não conhecem a mentira: vivem guiados por instintos. Daí nasce a teoria do condicionamento estímulo e resposta. Nós, biologicamente, também somos animais. Em nossa rotina biológica não há espaço para mentiras. Elas existem apenas no universo simbólico de nossa mente.

Fragilidades temporais

Cada um carrega suas vulnerabilidades. Uns não suportam álcool, outros qualquer substância tóxica, outros ainda são frágeis diante de comidas ou vícios digitais. Hoje, muitos se perdem nas redes sociais.

As fragilidades também são temporais, ligadas às fases da vida. Um exemplo claro está nas gerações acima de 50 anos: formadas como telespectadores, acreditavam piamente nos noticiários da TV aberta. Por isso, são mais vulneráveis às mensagens subliminares das mídias sociais de hoje.

Construindo programas mentais de defesa

Como então orientar jovens, empresários e adolescentes a desenvolver a arte da dúvida e do ceticismo?
Que instrução é necessária para que a formação intelectual crie programas mentais antivírus, guardiões internos contra manipulações?

Nossa curiosidade incontrolável — olhos sempre abertos, ouvidos que não podem se fechar — é, talvez, a maior fragilidade de fabricação humana.

Conclusão

Com este texto, proponho pautar o tema da antifragilidade como urgência em nossa vida empresarial e familiar.
Identificar o simples, o autêntico, o verdadeiro está cada vez mais difícil. Precisamos treinar e desenvolver senso crítico.

Não se trata apenas de proteger a mente, mas de fortalecê-la diante do caos inevitável.
E talvez aí esteja a essência: tornar-se antifrágil é aprender a crescer não apesar do caos, mas por causa dele.

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José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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