A Pascoa.!
Na origem da palavra “Páscoa” está uma das narrativas mais marcantes da tradição bíblica, registrada no Livro do Êxodo. O termo vem do hebraico Pesach, que pode ser entendido como “passar por cima” um detalhe linguístico que ajuda a compreender o sentido central dessa história.
Para entender melhor, é preciso voltar ao contexto do relato. O povo hebreu vivia no Egito, sob domínio, quando uma série de acontecimentos culminou na chamada última praga: a morte dos primogênitos. Naquela noite decisiva, foi dada uma orientação clara às famílias hebraicas: marcar as portas de suas casas com o sangue de um cordeiro.
Esse gesto tinha uma função prática dentro da narrativa. O sangue serviria como um sinal visível. A ideia central é simples: ao ver a marca nas portas, o agente da destruição não entraria naquelas casas. Em vez disso, passaria adiante.
É justamente aqui que surge o significado da palavra “Páscoa”. Não se trata apenas de “passar”, mas de “passar poupando”. Ou seja, ver o sinal, reconhecer e decidir não agir.
Essa noite cria uma distinção importante: algumas casas são atingidas, outras são preservadas. Ao mesmo tempo, marca o início de uma mudança. Dentro das casas protegidas estavam pessoas que se preparavam para sair do Egito.
No dia seguinte, acontece a saída efetiva o início da caminhada rumo à liberdade. No entanto, o termo “Páscoa” permanece ligado à noite anterior, quando ocorreu a preservação.
Até aqui, temos a base comum da história. A partir dela, surgem duas formas diferentes de comemoração.
Na tradição judaica, a Páscoa (Pesach) lembra principalmente essa noite. O foco está no momento do livramento: quando o perigo passou e as casas foram poupadas. É uma memória do instante decisivo em que ocorreu a proteção.
Na tradição cristã, essa mesma base é interpretada de outra forma. O foco deixa de estar apenas na noite do livramento e passa para o resultado final: a libertação completa. Essa ideia é associada à morte e ressurreição de Cristo, entendida como uma passagem da morte para a vida.
Assim, podemos comparar de forma simples:
- O judeu comemora a noite do livramento — quando ocorreu a passagem que poupou.
- O cristão comemora a libertação — associada à ressurreição e à ideia de nova vida.
Portanto, embora as datas estejam ligadas historicamente, o significado da comemoração não é o mesmo. Ambas partem do mesmo relato, mas enfatizam momentos diferentes do processo.
Em resumo, a palavra “Páscoa” nasce da ideia de “passar poupando”, mas, ao longo do tempo, passou a representar também diferentes formas de entender o que significa libertação.
Símbolos incorporados ao longo do tempo
Além do sentido original, a Páscoa passou a incluir elementos culturais que hoje fazem parte do cotidiano das celebrações. Entre os mais conhecidos estão o ovo, o coelho e o cordeiro. Cada um deles tem uma origem e um significado específico, e entender isso ajuda a dar mais clareza ao que se pratica atualmente.
O ovo foi incorporado como símbolo de vida nova. Muito antes da tradição cristã, já representava nascimento e renovação. Com o tempo, passou a ser associado à ideia de nova vida ligada à Páscoa, sendo posteriormente transformado em ovos decorados e, mais recentemente, em ovos de chocolate.
O coelho também tem origem cultural, ligado à fertilidade e à abundância. Por sua capacidade de reprodução, tornou-se um símbolo de vida em expansão. Na tradição popular europeia, acabou associado à entrega de ovos, criando a figura do “coelho da Páscoa” como é conhecida hoje.
Já o cordeiro tem uma ligação direta com o relato bíblico. Ele aparece como o animal cujo sangue foi usado para marcar as portas na noite da preservação. Por isso, tornou-se um símbolo de proteção e também de sacrifício, sendo mantido com significado religioso mais próximo da narrativa original.
Compreendendo o conjunto no presente
Hoje, esses três elementos convivem na mesma celebração, mas com naturezas diferentes:
- O cordeiro está ligado ao relato bíblico e ao significado original da Páscoa.
- O ovo e o coelho são incorporações culturais que reforçam a ideia de vida e renovação.
Para o leitor contemporâneo, compreender essa composição permite enxergar a Páscoa de forma mais completa. Não se trata apenas de uma prática repetida, mas de um conjunto de símbolos que foram sendo agregados ao longo do tempo, cada um com sua origem e intenção.
Assim, ao observar as tradições atuais sejam elas religiosas ou culturais torna-se possível reconhecer que muitas práticas do dia a dia carregam significados históricos. Entender essas origens não altera a celebração, mas amplia a consciência sobre o que ela representa.
Pesquisa e estudo Jose Orlando Witzler ( 15/04/2026)

