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As nossas trilhas.

https://youtu.be/dSE4Iq61-Z0?si=hDpKsNDv44WpMS-r

As trilhas que não criamos

O cérebro insiste nas trilhas da adolescência.

Mas não apenas nas nossas.

Insiste também nas trilhas que recebemos.

Antes mesmo de pensarmos por conta própria, já estávamos caminhando por caminhos abertos por outros:

  • pais
  • professores
  • líderes
  • pensadores
  • tradições

Não começamos do zero.
Começamos andando.

O peso invisível do que já foi pensado

Grande parte do que chamamos de “nossa opinião” não nasceu em nós.

Foi herdada.
Absorvida.
Repetida com pequenas variações.

Ideias que já vieram prontas.
Caminhos já abertos.
Trilhas já pisadas.

E seguimos.

A evolução pelas trilhas herdadas

A humanidade avança assim.

Cada geração:

  • recebe
  • adapta
  • transmite

Se fosse necessário reconstruir tudo, nada avançaria.

As trilhas sustentam o progresso.

Mas há um ponto de saturação

Existe um momento em que as trilhas deixam de responder.

Não porque estejam erradas.

Mas porque o terreno mudou.

Mesmo assim, o cérebro insiste.

Prefere o conhecido ao verdadeiro.
O seguro ao possível.
O repetido ao novo.

E então surge a recusa

Em algum ponto, algo interno se movimenta.

Uma resistência.

Um desconforto difícil de explicar.

Como se o caminho conhecido já não pudesse mais ser seguido sem conflito.

E isso já apareceu também fora da filosofia, fora da teologia, fora da teoria.

Apareceu na arte.

Na música.

Na voz de Arnaldo Antunes:

“Eu não vou me adaptar”

A frase é simples.

Mas carrega uma ruptura.

Não é uma proposta.
É uma recusa.

Recusar não é ainda criar

Há algo importante nesse ponto.

Dizer “não vou me adaptar” não constrói um novo caminho.

Apenas interrompe o antigo.

Mas talvez isso já seja muito.

Porque interromper uma trilha exige mais esforço do que segui-la.

Nascer de novo, outra vez

E então a fala permanece:

“Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (João 3:3)

Nicodemus não compreende.

Porque tenta entender a partir das trilhas que já possui.

Mas nascer de novo não é melhorar o que já existe.

É não depender mais disso.

A ruptura com o herdado

E então:

“Se alguém vem a mim e não aborrece pai e mãe… não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:26)

Não é sobre rejeição.

É sobre não permanecer condicionado.

Pai e mãe, aqui, não são apenas pessoas.

São:

  • origem
  • estrutura
  • formação

São as primeiras trilhas.

Entre a recusa e o vazio

Quando a trilha antiga já não serve
e a nova ainda não existe

fica um intervalo.

Sem mapa.
Sem garantia.
Sem validação externa.

É nesse ponto que a recusa da música e a fala de Jesus se encontram.

Ambas interrompem.

Nenhuma delas entrega o caminho pronto.

O conservadorismo do cérebro

O cérebro tenta resolver.

Voltar atrás.
Refazer o caminho antigo.
Reinterpretar o novo dentro do velho.

Ele insiste.

Porque essa é sua função.

E talvez…

Talvez aquilo que chamamos de identidade
seja apenas a trilha mais repetida.

Talvez aquilo que defendemos com mais força
seja apenas aquilo que mais vezes percorremos.

Talvez o “não vou me adaptar”
seja só o início de algo que ainda não sabemos nomear.

Sem síntese

Se herdamos caminhos que não criamos
se insistimos neles por segurança
se recusamos continuar
mas ainda não sabemos construir

em que momento o novo realmente começa?

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José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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