quarta-feira, 19 agosto 26

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Jogral – O Chamado das Águas

Jogral – O Chamado das Águas

Personagens:
🔹 EU – O homem, reflexivo, em busca de sentido.
🔹 ÁGUA – A voz fluida, ancestral, que guarda memórias e mistérios.


EU:
Na escola, nos primeiros anos, tive uma aula de química.
O professor Valdemar disse algo que nunca esqueci.

ÁGUA:
“A água foi criada há bilhões de anos.
E a quantidade de água no planeta é a mesma.”

EU:
Praticamente…
Não se cria mais água?

ÁGUA:
Não.
Eu sou a mesma, de sempre.
Caminho, percorro, passo… e retorno.

EU:
Desde então, carrego uma pergunta:
A água do meu corpo…
Qual a sua origem?
Por quem já passou?

ÁGUA:
Já estive em reis e em crianças,
em poetas e soldados,
em lágrimas e tempestades.
Eu sou antiga.
Eu sou memória líquida.

EU:
Será que carrega lembranças?
Será que guarda histórias?
Será que sente?

ÁGUA:
Sinto…
quando sou esquecida.
Sinto…
quando sou maltratada.
Mas também celebro…
quando fluo, quando danço, quando limpo.

EU:
Fui gerado em água,
imerso no ventre da minha mãe.
Ela me alimentava com fluidos,
com amor filtrado.

ÁGUA:
Eu era ponte.
Eu era ventre.
Eu era vida chegando devagar.
E continuo.

EU:
Hoje, percebo:
Me alimento de água nas frutas,
nos vegetais,
até nas carnes de seres vivos.
Carrego tudo isso em mim.

ÁGUA:
E sigo em ti.
Respiro contigo.
Choro contigo.
Curo contigo.

EU:
Então…
E a saúde?
E a cura que tanto buscamos?
Pode vir de ti?

ÁGUA:
Sim.
Mas preciso de atenção.
De respeito.
De fluxo.
Sou purificação em movimento.

EU:
Você…
já conversou com a água?
Já escutou sua origem?
Já entendeu sua fonte?

ÁGUA:
Eu sou você.
Estou em você.
E ao passar por você,
serei em outros.
Mas…

EU:
Mas?

ÁGUA:
Preciso de forma.
E tua forma me dá sentido.
Sou faxineira.
Sou condutora.
Mas também preciso ser purificada.

EU:
E quando não flui?

ÁGUA:
Fico densa.
Me saturo.
Adoeço.
Mas…
quando me lanço das alturas,
nas cachoeiras,
eu me alegro!

EU:
Recebe o ar novo…

ÁGUA:
Oxigênio!
Me elevo!
Me transformo em névoa,
em nuvem,
em brisa.

EU:
E volta ao chão…

ÁGUA:
Com sede de cura.
Com vontade de limpar.

EU:
Você…
não tem cor,
nem gosto,
nem forma.

ÁGUA:
E por isso preciso de ti.
A tua consciência me molda.
Me dá sentido.
Me torna sagrada.

AMBOS (juntos, pausadamente):
Somos um só.
Você e eu.
Água e homem.
Memória e fluxo.
Vida que continua.


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José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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