quarta-feira, 19 agosto 26

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O Ponto Agni.

O Ponto Agni.

Vivemos uma era curiosa.

As redes sociais… abriram as portas do anonimato.
Libertaram vozes… que antes estavam trancadas no silêncio da falta de espaço e escuta.
E junto com essas vozes… despertaram também os monstros adormecidos.
Monstros feitos de certezas absolutas…
Escondidas no íntimo das pessoas…
Prontas para se tornarem trincheiras públicas.

O problema… não está em falar.
Está… na impossibilidade de voltar atrás.

Todos nós, em algum momento… já experimentamos o incômodo de perceber que estávamos errados.
E mesmo diante da evidência… insistimos.
Não por convicção…
Mas por vergonha.

O custo de dizer “me equivoquei” parece maior…
Muito maior… do que o de continuar errando.
O medo de ser julgado.
A humilhação pública.
O desgaste emocional…

Tudo isso constrói uma muralha…
Uma muralha em torno do ego.

É como estar em uma estrada longa.
E ao perceber que pegamos o caminho errado…
Nos deparamos com o dilema:
Voltar… exige mais do que temos força para suportar.

E então… preferimos seguir adiante.
Mesmo sabendo… que estamos nos afastando do destino.

É aqui… que nasce o Ponto Agni.

Inspirado nos rituais védicos…
Esse termo simboliza o momento em que a consciência cruza um fogo invisível.
Onde tudo o que foi oferecido — ideias, discursos, decisões —
É queimado.
E transformado.

Não se pode mais voltar.
O que foi lançado ao fogo…
Não retorna como era.

O Ponto Agni não é apenas metáfora.
É uma experiência real.

É o instante em que o orgulho sela o erro…
E a prepotência o consagra.
É quando o homem prefere o sacrifício da razão…
À exposição do engano.

É quando o “caminho já percorrido”…
Pesa mais do que a verdade descoberta.

É também onde se revela o perigo… das seitas do pensamento.

Diferente de uma religião — que permite o arrependimento, o erro, a dúvida e o recomeço —
A seita exige unanimidade.
Dogmatismo.
Fidelidade cega.

Em uma seita — seja ela ideológica, política ou emocional —
Não se pode voltar atrás.
Não há direito ao arrependimento.
Não há espaço para a dúvida.
O vínculo é total.
A identidade… se confunde com a crença.

E então surge a pergunta…
Aquela que quase ninguém tem coragem de fazer:

E se estivermos todos errados…?
Ainda é possível voltar…?

A resposta… divide o mundo em dois caminhos.

Longe de Deus… o caminho é sem retorno.
Mas em Deus… sempre é possível recomeçar.

O arrependimento… é a travessia contrária ao orgulho.
É aceitar o vexame da correção.
É atravessar de volta o Ponto Agni —
Não mais para negar o fogo…
Mas para ser purificado por ele.

Esse é o dilema humano… de todos os tempos.

Seguimos até o sacrifício…
Mas não suportamos o vexame do erro.

E talvez por isso…
O senso comum tenha se tornado tão inquestionável.

Ele é… o lugar onde o orgulho coletivo se esconde.

O homem de sempre…
Repetido nos rostos…
De hoje.

Jose Orlando Witzler ( 31/07/20254)

José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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