quarta-feira, 19 agosto 26

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O chamado da Agua.

O Chamado das Águas

Na sala abafada dos primeiros anos de colégio, recordo de uma aula de química com o professor Valdemar. Ele, talvez sem saber, me entregou uma chave para a vida.

A água foi criada há bilhões de anos. A quantidade de água no planeta é a mesma. Praticamente, não se cria mais água.

Essa frase ecoou dentro de mim como uma pedra lançada num lago profundo. A superfície se acalmou, mas as ondas internas continuam até hoje. A partir daquele dia, passei a pensar na água de forma diferente como algo sagrado, ancestral, uma testemunha silenciosa da história do mundo.

E me pergunto desde então:

A água do meu corpo, de onde veio?
Por quem já passou ao longo do tempo?
Qual sua jornada existencial?
Ela carrega alguma memória invisível?

Fui gerado imerso em água, dentro do ventre de minha mãe. Alimentado por um cordão que levava nutrientes dissolvidos em líquido — filtrados, resignificados, ofertados. Essa mesma água que me formou seguirá seu ciclo. Alimentará outros corpos, outras histórias, outras dores. Será lágrima, suor, sangue, cura.

A água que comemos sim, comemos água nas frutas, nos vegetais, na carne dos animais. Tudo o que nos toca profundamente tem água. E tudo o que sai de nós nossas palavras, nosso calor, nossos silêncios também carrega água.

Hoje, aos 64 anos, olho para trás e percebo: sempre houve um chamado. O chamado das águas.
Mas nem sempre soube escutar.

A verdade, quando chega, não nos deixa intactos.
Ela sacode, rompe, reorganiza.
E a verdade das águas é esta: ela é você. Ela está em você. E, ao passar por você, continuará a ser em outros.

Sim, nossas curas físicas, emocionais, espirituais talvez dependam da água.
Não apenas da que bebemos, mas da que compreendemos.

Você já conversou com a água?
Já a escutou?
Já se perguntou qual é a sua origem?
Já a honrou como fonte, como símbolo, como vida?

A água lhe diz:

Eu sou você.
Estou em você.
E preciso de você para ter forma.
Sou faxineira, sou condutora, mas também preciso de purificação.
Meu fluxo é minha salvação.
Quando estagno, adoeço.
Quando caio em cachoeiras, me divirto.
Recebo oxigênio e renasço em partículas voadoras.
Sou bruma, sou névoa, sou nuvem.
Me elevo.
Me encontro com outras.
Me transformo em tempestade.
E retorno à terra, desejando lavar, curar, recomeçar.

Estou em você, diz a água.
Me ame.
Me beba.
Me ouça.
Eu não tenho cor.
Não tenho sabor.
Não tenho forma.
Mas com você, posso ganhar sentido.

By- Zé Orlando ( 20/-7/2025/Avaré/SP)

José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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