quarta-feira, 19 agosto 26

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O homem caminha aos passos.

Os Passos.

A mecânica do caminhar ocorre pelo desequilíbrio provocado entre as duas pernas.
Ao desejarmos seguir, nosso corpo se lança em pêndulo sobre uma única perna. Esse desequilíbrio nos permite, momentaneamente, equilibrar-nos apenas sobre ela.

Uma vez desequilibrados, inclinamo-nos para a frente e direcionamos o desequilíbrio para onde desejamos ir. Para não cair, a perna livre se projeta nessa direção e nos apoia no chão. Em seguida, a perna anterior se solta, e assim conseguimos fluir.

Esse é o caminhar.

E o que seria o caminho?

Nessa visão, o caminho é o espaço físico projetado entre as pernas durante esse movimento pendular.
O caminho é esse espaço.

Ao lançarmos nosso peso sobre uma perna, tocamos a fronteira do caminho.
E ao ser tocado pela planta de nossos pés, o caminho se eterniza, pois jamais será pisado novamente nas mesmas condições. É o eterno presente.

Quando caminhamos rapidamente ou corremos, os movimentos se sincronizam em um balé de fluxos e toques.

As Pegadas do Caminho

Podemos até imaginar que, por alguns milésimos de segundo, entre uma passada e outra, ambos os pés estejam livres, suspensos no ar, sem contato com o solo. Esse seria o momento máximo de fluxo suave e sincronizado, de plena presença no caminho – fluindo sem agredi-lo, apenas se conectando a ele.

O solo e a planta dos pés são as fronteiras do caminhar.

Sabemos que grandes homens pisaram neste solo. Muitos deixaram marcas; outros, por sua pressa e falta de presença, sequer sentiram o chão sob seus pés – simplesmente passaram.

Quando Maria Madalena viu Jesus se aproximando com os seus, à primeira vista, exclamou:
“Nunca vi um homem tocar o solo desta maneira.”
E o seguiu.

Este solo é sagrado. “Tira as sandálias”, foi a primeira fala do encontro com o Sagrado e o Profeta.

Podemos flutuar, voar e seguir nosso caminho – passo a passo, sem agressões nem tropeços.

Basta desequilibrar-se e colocar um pé à frente do outro.

E, como diz o profeta: “A cada passo, uma prece pela oportunidade de andar livremente.”

Jose Orlando Witzler ( ensaista0 ( orlando.witzler@gmail.com)

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Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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