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O capitalismo de robos.

A Jornada de um Relacionamento Comercial

Entre Cliente, Fornecedor e o Mundo Automatizado

Por José Orlando Witzler – Bauru, 10 de outubro de 2025

Contexto

O que relato aqui não é apenas um problema técnico é um retrato do nosso tempo.
Trata-se de uma ocorrência comum: uma falha no serviço de telecomunicações em uma residência de classe média, dentro de um condomínio horizontal.

Sou cliente da mesma operadora há muitos anos. Nunca usei outra. Meu pacote inclui internet fixa, um telefone residencial e três celulares o meu, o da minha esposa e o da minha sogra, de 90 anos.

Na noite do dia 09/10, cheguei em casa às 19h e percebi que a internet não funcionava. Testei tudo. Modem, roteador, cabos tudo em ordem. Após meia hora, decidi acionar a operadora.

Mas a ligação foi um labirinto: a cada tentativa, a voz automática insistia que eu baixasse o aplicativo e procurasse ali a resposta. Enquanto isso, tudo na casa começava a parar.
Sem internet, os sistemas automatizados deixaram de responder, os acessos ficaram bloqueados e até o telefone ameaçava parar.

De repente, percebi: estava em um apagão digital.O verdadeiro problema da tecnologia moderna não é a máquina, mas a ganância humana que deseja transformar pessoas em autômatos de consumo.
Vivemos uma corrida sem linha de chegada, onde a velocidade da tecnologia já ultrapassou a capacidade humana de acompanhar. busca pela solução

Com esforço, consegui chegar ao setor financeiro e descobri que a fatura do mês anterior não havia sido paga.
Corri ao escritório e confirmei: o pagamento realmente não constava. Não sei por quê.

Tentei emitir a segunda via, mas o sistema não funcionava. Após várias tentativas, acessei meu e-mail pelo celular e encontrei a fatura antiga.
Exibi o QR Code na tela e pedi para minha esposa escanear com o celular dela e assim conseguimos pagar.

Informei o pagamento à operadora e, após cerca de duas horas, tudo voltou a funcionar.

O verdadeiro ponto da questão

Em momento algum recebi qualquer aviso sobre o débito.
E, sejamos sinceros, erros e esquecimentos acontecem. Todos nós temos dias em que uma conta passa despercebida.

Mas cortar um serviço essencial — como acesso à internet — sem aviso humano, sem um contato, sem empatia, é algo grave.
Serviços de primeira necessidade, como energia ou água, só são interrompidos após esgotadas todas as tentativas de comunicação.

No caso das telecomunicações, a lógica é inversa: o sistema automático decide e executa, sem ponderação.
De um lado, uma grande operadora; do outro, um cliente solitário, preso em um mercado que não tem nada de livre concorrência.

Deixamos de ser clientes e nos tornamos usuários seres robotizados que imploram por um sinal.
E o Estado, que deveria equilibrar essa relação, parece ausente.

A reflexão que o caos me trouxe

No meio do apagão, tive um insight simples:
não posso depender de uma única empresa.

A concentração total de serviços em um só fornecedor cria vulnerabilidade.
Ainda bem que existem pequenas empresas, provedores locais, que oferecem algo mais precioso do que velocidade: atendimento humano.

São empreendedores que conhecem seus clientes, entendem as dores do dia a dia e respeitam a liberdade de escolha.
No verdadeiro capitalismo o saudável, o de ciclo virtuoso deve haver concorrência, e não dependência.

Fechar contrato sem alternativas não é inteligência, é rendição.
Nas grandes operadoras, o tempo de relacionamento um dia ou vinte anos pouco importa.
Mas nas pequenas, o cliente é parte da história da empresa.

Humanizar é preciso

Internet é um serviço essencial.
E por maior que seja a empresa, nenhum sistema é imune a falhas.
A diferença está no atendimento — no tom de voz humano, na escuta, na presença.

Experimente contratar o provedor de internet do seu bairro.
No mínimo, você terá um relacionamento real: empresa e ser humano.
E não o que vivemos hoje empresas robotizadas atendendo seres humanos robotizados.

Um passo atrás na corrida

O verdadeiro problema da tecnologia moderna não é a máquina, mas a ganância humana que deseja transformar pessoas em autômatos de consumo.
Vivemos uma corrida sem linha de chegada, onde a velocidade da tecnologia já ultrapassou a capacidade humana de acompanhar.

E, no limite, a tecnologia acabará colidindo com o próprio homem — porque não há mais espaço para aumentar a velocidade da vida.
Estamos todos cansados.

Talvez seja hora de parar, respirar e olhar para trás.
De valorizar o tempo, o contato, o olhar, a voz.

“Vida das antigas. É isso.”

José Orlando Witzler
Engenheiro, empreendedor e observador das jornadas humanas em meio à era digital.

José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

2 COMENTÁRIOS

  1. É por isso que podemos continuar dizendo e afirmando: “Pequenas Empresas, Grandes Negócios” principalmente aos clientes, já os donos pagam grandes e injustos preços para manterem suas empresas nos tempos atuais, onde os que pagam pagam pelos que não pagam e não são cobrados pois são empresas dos próprios cobradores…. o que será deste mundo quando somente os grandes permanecerem, o fim destes será pior do que o fim que provocam aos pequenos.

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