A pólvora permitiu que indivíduos antes considerados covardes participassem da guerra e fossem ao front. Anteriormente, os campos de batalha eram reservados aos fortes, corajosos e destemidos. Este composto químico, quando utilizado de forma precisa e posicionado atrás de um elemento metálico que é conduzido por um cano, é acionado por uma espoleta que, ao ser percutida por uma agulha, inicia o movimento de um projétil em direção a um alvo, causando danos e destruição.
Assim, um dispositivo composto por vários mecanismos, nas mãos de um covarde, o capacita a superar o medo e suas limitações físicas, transformando-o em um soldado guerreiro. A história confirma que os avanços humanos não permitem retrocesso; uma vez criado um produto, a caminhada é irreversível, com o conhecimento e a experiência de sua utilização.
No percurso civilizatório, mediante a evolução tecnológica, de sistema em sistema, equipamento a equipamento, subsistemas e macrossistemas, chegamos ao celular, o smartphone. Entendo que seja a melhor e mais poderosa arma jamais inventada, por muitos motivos. Vou destacar alguns, sem ordem de importância:
- Disponibilidade: Toda a população tem acesso.
- Multifuncionalidade: Incorporou disruptiva mente todos os dispositivos anteriores, como rádio, TV, telefone, máquina fotográfica, filmadora, relógio, GPS, lanterna, caixa de som, entre outros.
A grande ferramenta é o smartphone; as redes sociais são apenas um elemento do conjunto, com menos importância. Pode ser comparado a uma máquina de verdade. Cada cidadão hoje já nasce tirando fotos e gravando vídeos. E o mais fantástico: salvando, literalmente, os fatos em sua memória. A essência de tudo é o processo de salvamento; a verdade vem da realidade; as fotos e filmes são elementos e composições de fatos reais. Não há como chegar à verdade sem fatos e documentos reais, provas reais, boletins de ocorrência, testemunhas presenciais do fato.
Considerando que dos milhões de seres humanos vivendo hoje no planeta, praticamente a imensa maioria, estatisticamente constatada, conhece e usa um smartphone. Este empoderamento individual é poder, sim. E chegará o tempo em que nada ficará escondido; tudo será descoberto.
Em todo o tempo, a sociedade foi manipulada pelos homens do poder, os governantes e agentes detentores dos elementos de verdade. Em toda nossa história, sempre a informação é filha de recursos financeiros e manipulação. Todas as teses de mestrado, doutorados e pesquisas sempre foram custeadas pelas elites dominantes. Mesmo os grandes pensadores do passado foram financiados. Os recursos definem os rumos do conhecimento.
Em todas as guerras, todas as políticas, sempre a manipulação das massas foi um elemento de gestão do poder. Afinal, chegamos em 2024; porém, hoje, o empoderamento está nas mãos dos indivíduos, de posse de suas máquinas fotográficas e filmadoras. O verdadeiro alimento das mídias sociais e da mensagem não são opiniões, e sim testemunhas de fatos ocorridos. Este é o real.
Diante desta arma poderosa, o cidadão comum pode se defender e documentar todos os seus atos e eventos. Pode salvá-los em sua mídia própria, para publicar em um tempo determinado que lhe seja conveniente. É uma prova incontestável e real de algo. Nada pode ser mais forte que uma testemunha ocular.
Sempre, em todo local, haverá um observador atento, salvando, pinçando do tempo uma imagem que é de sua propriedade, só sua. E, mediante o registro observado e confirmado, a verdade não é relativizada sobre o aspecto da versão, do ponto de vista, e sim de um fato real resgatado à realidade.
Uma boa foto tem muito poder.
A censura se preocupa e tenta se firmar nos meios de divulgação das imagens e opiniões, porém nem se atreve a imaginar a censura no momento anterior ao flash da foto. É impossível.
Que os olhos vejam, que os ouvidos escutem, somente isso. Este mecanismo de salvamento da verdade é a pólvora de nossos tempos.
Cabe ao eventual covarde se esconder atrás de sua arma, carregada com a pólvora de melhor qualidade, um smartphone novo, conectado na web.
Mediante esta voz liberada a todos, inclusive, e principalmente, do covarde anônimo, este cidadão assume o protagonismo da fiscalização e documentação de resgate e salvamento da verdade, em flashes incontestáveis.
Este é o ponto de inflexão da história do homem. Haverá muitas opiniões que serão censuradas, porém o sistema de células de verdade será alimentado pelos infinitos fiscais de plantão em seu cotidiano.
Vale ressaltar que este equipamento, ferramenta, para sua utilização plena do cidadão, é necessário que este elemento operador se sinta sócio da sociedade, se sinta membro e possa exercer a finalidade de fiscalizador e delator dos fatos. Faz-se necessário o treinamento e dispositivos de preparo para exercer esta função e também a preparação legal do processo de flagrante possível e válido.
Nós todos estamos armados até os dentes, com um pequeno smartphone, pode acreditar.

José Orlando Witzler 29/12/23 – 11:56

