O Jogo Infinito do Perdão
Na teoria dos jogos, um dos experimentos mais conhecidos é o dilema do prisioneiro: dois jogadores podem escolher cooperar ou trair. A lógica imediata do jogo, baseada na vingança e na desconfiança, costuma levar ambos a perder. Se um trai e o outro confia, um ganha mais. Mas se ambos desconfiam e traem, ambos saem prejudicados.
Esse experimento mostra como o cálculo do curto prazo tende a criar um ciclo de perdas. É o jogo do “olho por olho”: cada ação punitiva gera uma reação igual, travando a possibilidade de um futuro melhor.
Mas, do ponto de vista cristão, esse cálculo não é suficiente. O evangelho apresenta uma lógica diferente:
“Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:22).
Aqui, Jesus propõe uma nova forma de jogar: a do perdão reiterado. Não se trata de ingenuidade, mas de romper o ciclo da vingança. O perdão se torna uma estratégia de longo prazo, capaz de abrir espaço para reconciliação, confiança e cooperação.
Na teoria dos jogos, há também a noção de jogos infinitos, sem tempo definido para acabar. Nesse tipo de jogo, o objetivo não é vencer hoje, mas manter o jogo em andamento, preservando relações e criando condições de futuro. O perdão cristão se encaixa aqui: é a jogada que não busca a vitória imediata, mas que aumenta as chances de que, no fim, ambos os lados finalizem bem.
Enquanto o “olho por olho” conduz a sociedade ao impasse onde todos acabam cegos o perdão 70×7 abre uma via de continuidade. O cristão, ao não ceder à lógica da vingança, escolhe jogar o jogo maior: o da vida que só termina bem quando termina bem para todos.
Jose Orlando Witzler

