Antes do tempo, da terra e da forma — havia água.
Não como mar, nem rio, nem gota.
Mas como presença fluida e escura, onde o Espírito pairava, silencioso, aguardando o momento de tocar e moldar o invisível em visível.
Este é o caos primordial: não desordem, mas potência pura, promessa líquida, energia aguardando direção.
Diante de uma grande cachoeira. Uma força desce das alturas, imensa e contínua, e o som — aquele rugido profundo — preenche tudo, mas não agride.
É um som potente que acolhe, envolve, penetra.
O vapor fresco, como se a própria natureza estivesse respirando sobre sua pele.
Não há resistência.
Não há medo.
Somente presença.
Feche os olhos por um instante…
O potencial está lá no alto, na represa invisível, no acúmulo silencioso do que virá.
A potência se revela na queda: é o presente manifesto, a água em movimento, o som que vibra no peito.
A energia é o que move tudo: transforma rochas, desenha vales, toca corações, convida à rendição.
A água não precisa de permissão para fluir.
Ela não força, mas tudo vence.
Ela não se impõe, mas tudo transforma.
E ao fazer isso, ela nos revela o que é viver com propósito: fluir com consciência, cair com sentido, levantar como névoa.
Este espetáculo — bruto e delicado —
é vida em movimento, é oração líquida da Criação.
E o Criador, em sua grandeza, permite e aprecia tudo isso.
Desde a cachoeira colossal até a ínfima gota sobre uma folha.
Ele vê. Ele está. Ele vibra.
Assim como essa cena grandiosa toca o mundo, também toca você, visitante e observador presente.
Você é parte do milagre.
Você está no centro do espetáculo.
Você é também cachoeira, vapor, som, e alma.
Respire.
Sinta o frescor.
Ouça a força.
Receba a presença.
Feche os olhos e me VEJA.
By( Jose Orlando Witzler – 18/07/25) –
Recordando da visita nas Caratas do Rio Iguaçu, a 40 anos . Experiências eternas

