O Sonho Americano e a Verdadeira Natureza das Oportunidades
O verdadeiro espírito do Sonho Americano não se baseia em esperar passivamente que o Estado entregue oportunidades de bandeja, mas sim na liberdade de cada indivíduo de buscar sua própria felicidade, assumindo riscos e colhendo os frutos de seu esforço. A essência do capitalismo e do livre mercado é exatamente essa: a capacidade de cada cidadão ousar, errar, aprender e prosperar por conta própria.
Governos populistas tentam inverter essa lógica natural, prometendo distribuir oportunidades antes mesmo de criá-las, como se o crescimento econômico e a inovação fossem produtos de simples decretos e intenções políticas. Mas a realidade é clara: um Estado inchado, que se coloca como o grande provedor de tudo, torna-se o maior obstáculo à criatividade e ao espírito empreendedor. O excesso de regulamentação, burocracia e assistencialismo desmedido não gera riqueza—apenas sufoca aqueles que realmente movem a economia: os empreendedores.
O principal ativo de uma sociedade livre não é um governo paternalista, mas sim a liberdade plena do indivíduo para decidir quando, onde e como quer empreender. A liberdade de falhar e tentar novamente, sem medo ou vergonha, é o verdadeiro motor do progresso. Foi assim na Revolução Industrial na Inglaterra, foi assim nos Estados Unidos, e sempre será assim onde houver respeito pelo livre mercado.
No discurso de posse de John F. Kennedy, em 20 de janeiro de 1961, ele não pediu que o governo garantisse sucesso para todos. Pelo contrário, ele convocou os cidadãos a assumirem responsabilidade por seu próprio destino, imortalizando a célebre frase:
“Não pergunte o que seu país pode fazer por você – pergunte o que você pode fazer pelo seu país.”
Essa afirmação não é um apelo ao coletivismo estatal, mas sim uma defesa do espírito inovador e independente do povo americano. O governo não deve ser um tutor, mas um facilitador. Seu papel é criar um ambiente favorável para empreendedores, não substituí-los.
O brilho nos olhos do empreendedor é apagado quando o governo se torna um gigante controlador, sufocando iniciativas privadas com regulamentações excessivas. O Estado, quando se torna o grande olho que tudo vê, revela sua incapacidade de realizar—apenas supervisiona, restringe e tributa.
Quanto mais um governo se burocratiza e se torna refém do discurso populista de “oportunidades para todos”, menos espaço há para aqueles que realmente criam oportunidades: os empreendedores visionários, que não precisam do governo para inovar e transformar a sociedade.
É verdade que o modelo americano não é perfeito. Nenhum sistema é. Mas uma coisa é inegável: ele prospera porque incentiva a autonomia e a coragem de empreender.
Aqui no Brasil, somos uma sociedade progressista e empreendedora, onde cada cidadão carrega dentro de si a chama e a latência do desejo de ter seu próprio negócio. Basta olhar ao redor: das pequenas barracas de rua aos grandes empresários, o brasileiro encontra alegria e realização no trabalho, no atendimento ao cliente, na construção de algo próprio. O brilho nos olhos do nosso povo está lá—o que nos falta são governos e líderes que permitam e trabalhem por esse projeto.
O brasileiro já traz no seu imaginário a liberdade e o empreendedorismo, e a prova disso está em cada esquina, onde surgem negócios cheios de identidade e criatividade, estampados com nomes como “Rei da Cocada”, “Rei da Tapioca”, “Rainha do Pastel”. Esses pequenos impérios não são apenas comércios; são expressões de um povo que quer prosperar sem depender do governo, que sente felicidade em gerar a própria riqueza.
Provavelmente, nosso modelo de crescimento não esteja atrelado à rigidez do emprego formal sob os controles da CLT. Isso explica as vagas de trabalho formais não preenchidas, pois muitos brasileiros simplesmente não se encaixam nesse modelo engessado. Eles querem a sua liberdade, mesmo que isso signifique encarar um risco maior.
Não somos avessos ao risco. Pelo contrário, já incorporamos riscos e fatalidades ao nosso cotidiano, pois somos filhos de um país tropical, onde a incerteza sempre foi parte da realidade. O que nos falta não é coragem—é um ambiente que permita que essa coragem se transforme em prosperidade.
Se queremos um Brasil mais próspero, não precisamos de mais burocracia e controle estatal. Precisamos de liberdade para empreender, inovar e crescer. O futuro do país não está nas mãos do governo, mas nas mãos dos brasileiros que todos os dias ousam sonhar e construir.


Pauta/Pesquisa/ Jose Orlando Witzler

