quarta-feira, 19 agosto 26

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O advogado do diabo.br

A VÍTIMA SILENCIOSA, NÃO FOI AO JULGAMENTO.

Enquanto os tribunais celebram sua liturgia, os corredores da vida seguem marcados por feridas abertas.
Neles, não ecoam as palmas para a eloquência dos advogados.
Ali, onde o tempo não cura, nem os autos alcançam, permanece o dano que não foi reparado.

Vivemos uma era em que a defesa se tornou espetáculo.
Onde a estética da argumentação, a sofisticação da linguagem e o carisma do orador encantam mais que a dor das vítimas.
O advogado tornou-se figura pública — quase uma estrela. Seu nome se perpetua em jurisprudências, seus gestos em vídeos, suas metáforas em aulas magnéticas.
Muitas vezes, ele se torna maior que o crime que defende.

Mas… e a vítima?

A criança que morreu por falta de leito?
O idoso que teve seu remédio trocado por uma caixa de promessas vencidas?
A fila que nunca andou porque alguém a transformou em contrato milionário?

Esses não têm advogado.
Não têm sustentação oral.
Não têm metáfora.
Nem jantares com juízes.

Esses têm apenas o silêncio do prejuízo.

A justiça humana, tantas vezes, se contenta com a punição ritual, e se esquece da reparação real.
Não há sentença que devolva a vida perdida, nem jurisprudência que compense o tempo roubado.

E os grandes defensores que amamos — brilhantes, sofisticados, quase poetas —
Quantas vezes erguem sua arte para dissolver o fato, obscurecer a consequência, relativizar o mal praticado?

O que se celebra é a inteligência da tese.
E o que se esquece é o buraco onde caiu o direito da vítima.


Mas existe uma ideia que incomoda os vaidosos.
Uma ideia que escapa às sustentações, que não cabe nos autos, nem se dobra à retórica:
o Julgamento que virá.

Dizem que haverá um tribunal — não humano —
Onde o que vale não será a persuasão, mas a verdade das intenções e a realidade dos danos.
Onde não se medirá a elegância da defesa, mas a sombra do que foi causado, e a possibilidade — ou impossibilidade — de conserto.

E nesse tribunal, talvez, não haja absolvição para quem apenas encantou.
A pergunta será simples, crua, definitiva:

“Aquilo que você fez… pode ser reparado?”


Se esse tribunal não existir —
Se não houver, ao fim de tudo, um juízo que veja o invisível e pese o intangível —
Se não houver alguém que fale em nome do que foi silenciado…

Finalizo por não encontrar meios de expressar e trazer a este singelo texto tamanho vazio.

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José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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