
No livro “A Abolição do Homem”, C.S. Lewis apresenta uma crítica contundente à visão do homem moderno que acredita ser capaz de dominar a natureza humana por meio da ciência, da tecnologia e dos experimentos sociais. Ele vê esse desejo de libertação total do ser humano como um caminho perigoso, que acaba por levar à destruição da verdadeira liberdade e dignidade humanas.
A ideia central que Lewis critica é a de que, ao tentar se libertar de qualquer moralidade ou princípios transcendentes, o homem moderno acredita que pode moldar e controlar a si mesmo e aos outros, por meio da ciência e da manipulação social, de maneira a alcançar uma sociedade “perfeita” ou um ser humano “ideal”.
- A Ilusão de Domínio sobre a Natureza Humana: O homem moderno, segundo Lewis, crê que pode dominar sua própria natureza, eliminando as limitações impostas pela moralidade ou pela necessidade de princípios absolutos. Ele acredita que, por meio da ciência, da genética, das tecnologias cognitivas e dos experimentos psicológicos e sociais, pode reformular o ser humano de acordo com suas próprias conveniências ou desejos. Para Lewis, essa visão ignora uma realidade essencial: a natureza humana não é algo que pode ser completamente moldado ou controlado. Ao tentar fazer isso, o homem acaba se afastando de sua verdadeira essência, que está ligada à sua capacidade de fazer escolhas morais livres, com base em uma moralidade universal.
- A Desumanização Através da Manipulação: Quando o homem tenta se libertar dessa natureza que ele vê como um “fardo”, o que ele realmente está fazendo, de acordo com Lewis, é desumanizar-se. Em vez de se tornar mais livre, ele se torna cada vez mais escravo de forças externas que manipulam seus pensamentos, sentimentos e desejos. A ideia de liberdade no contexto do controle sobre a natureza humana acaba se transformando em uma forma de submissão a um poder maior que utiliza a ciência e a psicologia como instrumentos de controle.
- A Perda da Liberdade Verdadeira: Para Lewis, a verdadeira liberdade não vem da eliminação da moralidade ou da manipulação científica das emoções e comportamentos humanos. A verdadeira liberdade está em agir de acordo com uma moralidade objetiva, que permite ao ser humano tomar decisões morais fundamentadas, sem ser dominado por impulsos externos ou ideologias. Ao rejeitar a moralidade transcendente e tentar “libertar-se” dela, o homem moderno se torna vulnerável ao controle de elites ou sistemas que definem e impõem o que é considerado “normal” ou “desejável”. Nesse processo, ele perde a autonomia moral e se torna mais suscetível a ser manipulado por aqueles que possuem o poder de influenciar suas escolhas e comportamentos.
- A Manipulação do Comportamento Humano: Lewis critica a tendência de usar a ciência e as técnicas psicológicas para moldar ou manipular o comportamento humano. Ele vê isso como uma forma de instrumentalizar o ser humano, tratando-o como um objeto a ser ajustado para se adequar aos fins da sociedade ou de uma elite governante. A moralidade e a liberdade humana são vistas como algo a ser ajustado ou condicionado, em vez de ser respeitado e preservado. A manipulação de massa, a engenharia social e a mudança dos valores morais por meio da ciência não conduzem à verdadeira libertação do ser humano, mas sim ao seu empobrecimento ético e espiritual.
- O Perigo da “Libertação” sem Fundamentos Éticos: A principal crítica de Lewis à visão moderna de “libertação” é que ela é baseada na falsa premissa de que o homem pode viver sem os princípios morais fundamentais. Ao tentar se libertar de uma moralidade objetiva, o homem se coloca em risco de ser manipulado, pois suas ações e decisões deixam de ser guiadas por uma direção ética verdadeira e se tornam vulneráveis a influências externas. A liberdade que ele busca, ao rejeitar os princípios universais, acaba se tornando uma ilusão, pois ele perde a capacidade de discernir entre o que é moralmente certo e errado, sendo guiado apenas por interesses próprios ou externos.
- A Visão de Lewis: A proposta de Lewis, em contraste, é que a libertação verdadeira do homem está na reconciliação com uma moralidade objetiva, que não é imposta por nenhum poder, mas é intrínseca à natureza humana e à sua relação com o universo. Ele defende que o homem deve se libertar do controle das forças que tentam manipular sua natureza, respeitando os valores imutáveis e universais que dão sentido à sua liberdade e dignidade.
Portanto, a ideia central do livro é que, ao tentar “dominar” a natureza humana, o homem moderno está, na verdade, se condenando à perda de sua própria humanidade. A libertação verdadeira não vem do controle sobre os outros ou sobre si mesmo, mas sim da aceitação de uma moralidade objetiva e da capacidade de fazer escolhas livres e morais, que respeitem o bem-estar coletivo e individual de maneira genuína.
Pesquisa/Propts/Pauta/Revisão / By Jose Orlando Witzler. 2025_02_02

