sexta-feira, 20 fevereiro 26

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Procastinar.

Procrastinação: vício, custo e destino caórdico

1. O político

Um político em cargo executivo não pode se dar ao luxo da procrastinação. Quando posterga, não apenas adia — prevarica. A omissão diante de uma decisão necessária compromete vidas, recursos e a confiança pública. O tempo perdido na política é um custo social incalculável.

2. O executivo

No mundo das empresas, o adiamento também é fatal. Cada decisão postergada é uma oportunidade que escapa, um custo que aumenta, um concorrente que avança. O executivo que procrastina transforma sua organização em refém da inércia.

3. O povo

Já um povo é mais complexo. Culturas inteiras podem aprender a adiar. O Brasil, por exemplo, muitas vezes parece especialista em postergação coletiva: reformas empurradas para o futuro, escolhas sempre adiadas, o mito de que “um dia será melhor”. A procrastinação nacional se transforma em identidade.

4. O indivíduo

No nível pessoal, o tema é ainda mais delicado. Cada ser humano carrega dilemas, resistências, medos. Mas, quanto ao universo de realizar tarefas — do estudo à saúde, da profissão à vida cotidiana — procrastinar deixa de ser dilema e se torna vício. O atraso contínuo molda o cérebro, condicionando-o a viver apenas da adrenalina do último minuto.

5. A vida caórdica

E, no entanto, a vida não é simples. É complexa e caótica, impossível de ser prevista ou controlada por inteiro. Entre ordem e desordem, reina o que o fundador da Visa, Dee Hock, chamou de caordem: o entrelaçamento de caos e ordem.

Talvez a lição final seja esta:

  • Onde é possível agir, agir com diligência.
  • Onde o caos impera, aceitar o caórdico instalado.

A procrastinação pode ser vício, crime, custo ou identidade. Mas a vida, em sua natureza, continuará sempre a nos desafiar entre o caos do imprevisível e a ordem das escolhas que não podemos adiar.

Pauta/Estudo/Pesquisa. Jose Orlando Witzler

José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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