Procrastinação: vício, custo e destino caórdico
1. O político
Um político em cargo executivo não pode se dar ao luxo da procrastinação. Quando posterga, não apenas adia — prevarica. A omissão diante de uma decisão necessária compromete vidas, recursos e a confiança pública. O tempo perdido na política é um custo social incalculável.
2. O executivo
No mundo das empresas, o adiamento também é fatal. Cada decisão postergada é uma oportunidade que escapa, um custo que aumenta, um concorrente que avança. O executivo que procrastina transforma sua organização em refém da inércia.
3. O povo
Já um povo é mais complexo. Culturas inteiras podem aprender a adiar. O Brasil, por exemplo, muitas vezes parece especialista em postergação coletiva: reformas empurradas para o futuro, escolhas sempre adiadas, o mito de que “um dia será melhor”. A procrastinação nacional se transforma em identidade.
4. O indivíduo
No nível pessoal, o tema é ainda mais delicado. Cada ser humano carrega dilemas, resistências, medos. Mas, quanto ao universo de realizar tarefas — do estudo à saúde, da profissão à vida cotidiana — procrastinar deixa de ser dilema e se torna vício. O atraso contínuo molda o cérebro, condicionando-o a viver apenas da adrenalina do último minuto.
5. A vida caórdica
E, no entanto, a vida não é simples. É complexa e caótica, impossível de ser prevista ou controlada por inteiro. Entre ordem e desordem, reina o que o fundador da Visa, Dee Hock, chamou de caordem: o entrelaçamento de caos e ordem.
Talvez a lição final seja esta:
- Onde é possível agir, agir com diligência.
- Onde o caos impera, aceitar o caórdico instalado.
A procrastinação pode ser vício, crime, custo ou identidade. Mas a vida, em sua natureza, continuará sempre a nos desafiar entre o caos do imprevisível e a ordem das escolhas que não podemos adiar.
Pauta/Estudo/Pesquisa. Jose Orlando Witzler

