Complexidade: entender o que é tecido junto
O ponto de partida para compreender a teoria da complexidade está no próprio significado da palavra. Complexo, do ponto de vista etimológico, vem da ideia de tecido junto. Não se trata, portanto, de algo necessariamente complicado, confuso ou obscuro. O complexo é aquilo que foi entrelaçado, combinado, conectado.
Quando entendemos isso, muita coisa começa a fazer sentido. O complexo não é o oposto do simples; ele é o resultado de múltiplos elementos que passaram a coexistir, interagir e depender uns dos outros. Para compreendê-lo, não basta desmontar as partes isoladamente. É preciso compreender o tecido que se forma a partir dessas conexões.
Foi no final das décadas de 1980 e 1990 que esse entendimento começou a se aprofundar, especialmente com os estudos sobre os sistemas complexos adaptativos. Esses sistemas passaram a ser observados não como máquinas, mas como organismos dinâmicos.
A maioria das pessoas, especialmente engenheiros, entende muito bem o funcionamento de uma máquina. Uma máquina é eficiente, previsível e controlável. No entanto, ela tem uma limitação fundamental: não se adapta espontaneamente às mudanças do ambiente. Se o contexto muda, a máquina precisa ser ajustada externamente.
Os sistemas complexos adaptativos funcionam de outra forma. Eles aprendem, respondem, se reorganizam e evoluem conforme o ambiente muda. E é exatamente esse tipo de sistema que precisamos compreender em tempos de incerteza, como os que vivemos hoje.
O estudo da complexidade não busca copiar a natureza ou repetir seus modelos. O objetivo é outro: identificar os princípios que regem esses sistemas e traduzir suas lições para diferentes contextos — sociais, econômicos, organizacionais ou humanos.
Entre esses princípios, um se destaca como síntese de todos os outros:
Auto-organização
Sistemas complexos, quando bem estruturados em suas interações, tendem à auto-organização. Eles não precisam de um controle central rígido para funcionar. A ordem emerge do próprio funcionamento do sistema, a partir das relações entre suas partes.
Talvez esse seja o principal aprendizado da teoria da complexidade:
em vez de tentar controlar tudo, é mais eficaz criar condições para que o próprio sistema se organize.
Esse não é apenas um conceito científico. É uma lição prática, aplicável à vida, às organizações e à sociedade.
No fundo, compreender a complexidade é aprender a confiar menos no controle e mais na inteligência que emerge do conjunto.


