sexta-feira, 20 fevereiro 26

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Educação é cultura em ato.

Educação, Cultura e o Fio Perdido da Identidade

“A educação é a cultura em ato.”

A frase parece simples, mas carrega um diagnóstico preciso do nosso tempo — e talvez, uma pista para superá-lo.

Vivemos uma era em que o fio que conectava gerações foi rompido. A cultura, que deveria oferecer símbolos, valores e sentidos comuns, fragmentou-se em nichos de consumo, entretenimento e narrativas dispersas.

A educação, por sua vez, deixou de ser ponte entre passado e futuro. Tornou-se principalmente técnica, produto, certificação e performance.

No entanto, educar não é prestar um serviço.

Educar é um ato civilizacional. É a forma pela qual uma sociedade se revela ao futuro.

A Função Esquecida

A verdadeira educação possui duas finalidades fundamentais:

  1. Transmitir o legado cultural de quem veio antes — as raízes e os ramos;
  2. Preparar consciências para participar da vida comum, no trabalho e na cidadania.

Quando isso se perde, sobra o adestramento técnico, e o trabalho, esvaziado de sentido, vira apenas meio de sobrevivência ou busca de status. Nessa condição, perde-se sua dimensão simbólica: já não se constroem pontes, praças e escolas para a coletividade, mas sim palácios interiores de vaidade.

Sociedades culturalmente frágeis confundem Estado com Governo, e governo com governantes. Substituem a ideia de pátria por celebridades e o bem comum por contratos imediatistas. Com um pano de fundo raso, o palco político degrada-se em arena econômica, onde política se curva ao dinheiro e ética ao marketing.

A política, que deveria ser espaço de diálogo e destino compartilhado, torna-se dependente do sistema econômico dominante, reduzida à disputa de poder entre corporações, clãs e narrativas.

Perguntas NecessáriasSem buscar culpados, vale abrir algumas questões:

  • Qual cultura estamos transferindo aos nossos filhos e netos?
  • Qual é a espessura simbólica do nosso trabalho?
  • Que monumentos (físicos ou digitais) deixaremos como testemunho?
  • Somos cidadãos ou consumidores?
  • Nosso Estado representa o povo ou algoritmos de influência?

Três Correções de Perspectiva

  • Cultura não é luxo de museus — é oxigênio civilizacional.
  • Educação não é serviço — é fundação da consciência coletiva.
  • Trabalho não é castigo — é oferta simbólica ao mundo.

Convite à Reconstrução

Este texto não chama multidões às ruas, mas consciências ao despertar. Não propõe revoluções superficiais, e sim reconexão com raízes profundas.

Não apresenta soluções prontas — faz um convite:

  • Quem tiver ouvidos, ouça.
  • Quem tiver filhos, netos ou alunos, conte histórias.
  • Quem tiver mãos, faça o que beneficia o comum.
  • Quem tiver palavra, fale com verdade.

Porque cada ato educativo — mesmo solitário — é um ato de reconstrução cultural.

José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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