Você sabia que a frase original da bandeira brasileira não era exatamente a que conhecemos hoje?
Pouca gente sabe, mas o lema que hoje lemos no centro do principal símbolo nacional “Ordem e Progresso” nasceu de uma frase maior, mais ampla e mais humana. A formulação original, inspirada no positivismo de Auguste Comte, dizia: “O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim.”
Na transição do Império para a República, em 1889, um pequeno grupo de intelectuais foi encarregado de conceber a nova bandeira. A decisão não foi apenas estética. Foi filosófica, política e simbólica. De forma consciente e registrada em documentos da época, optou-se por retirar o termo “amor”, sob o argumento de que ele seria moral demais, subjetivo demais, inadequado para representar o Estado.
Ficaram a ordem e o progresso.
Saiu o amor.
A escolha refletia o espírito de um tempo que acreditava que a razão técnica, a disciplina institucional e a ideia de progresso linear seriam suficientes para conduzir a nação ao futuro. Mas o Brasil não era e nunca foi um país frio, cartesiano ou exclusivamente racional. Somos uma sociedade formada pelo encontro de culturas, marcada pelo afeto, pela religiosidade, pela emoção, pela convivência entre diferenças.
Ao longo de mais de um século, o lema da bandeira educou o imaginário nacional. Falamos muito em ordem. Buscamos o progresso. Mas talvez tenhamos sentido falta daquilo que sustenta ambos.
Ao olhar hoje para esse detalhe histórico, a pergunta surge quase inevitável:
você consegue imaginar como seria se tivéssemos mantido o “amor” em nossa bandeira?
Talvez o Brasil tivesse oferecido ao mundo um dos símbolos mais poderosos de sua verdadeira vocação. Um país que afirma, logo em seu estandarte, que nenhuma ordem é legítima sem humanidade, e que nenhum progresso vale a pena sem cuidado com as pessoas.
Amar, afinal, sempre foi parte profunda de nossa identidade.
E, para milhões de brasileiros, permanece uma verdade fundante:
Deus é Amor — e Jesus, o Amor que amamos.
Talvez o maior gesto de maturidade histórica não seja apagar símbolos, mas reaprender a escutá-los.

Pesquisa/pauta/resenha/Jose Orlando Witzler

