
Livro:- “ A TRANSPARENCIA DO MAL”
Ensaio sobre fenômenos extremos – JEAN BAUDRILLARD
1990 – Edição Brasil – 1996
Jean Baudrillard (1929–2007) foi um filósofo, sociólogo, teórico da comunicação e crítico cultural francês, amplamente conhecido por suas análises sobre os meios de comunicação, a cultura de consumo, o simulacro e a hiper-realidade. Ele é frequentemente associado ao pós-modernismo, embora nem sempre tenha se identificado com esse rótulo.
Principais Conceitos
- Simulacro: Imagem ou signo que representa algo, mas perde a ligação com qualquer realidade concreta. Exemplo: uma réplica de um objeto que nunca existiu originalmente.
- Hiper-realidade: Quando os simulacros se tornam mais “reais” do que a própria realidade. Ex: parques da Disney, redes sociais.
- Morte da realidade: Para Baudrillard, a mídia, a publicidade e a tecnologia matam a experiência do real, substituindo-a por “realidades fabricadas”.
- Sedução: Um poder que se opõe à produção. Em vez de criar ou possuir, a sedução atrai, engana e transforma.
Frases Marcantes
- “Vivemos numa era em que a ilusão é mais real que a realidade.”
- “O real não desaparece; ele é assassinado e substituído por signos de real.”
- “A mídia não informa, ela opera.”
Baudrillard influenciou áreas como:
- Filosofia pós-moderna
- Comunicação e mídia
- Estudos culturais
- Crítica à globalização
- Arte contemporânea (foi referência para o filme Matrix)
O livro.
A obra “A Transparência do Mal: Ensaio sobre os fenômenos extremos” (La Transparence du Mal: Essai sur les phénomènes extrêmes, 1990) é uma das mais representativas do pensamento de Jean Baudrillard na fase madura de sua crítica à cultura contemporânea. Nela, o autor aprofunda seu diagnóstico da sociedade pós-moderna, onde os conceitos tradicionais como bem, mal, arte, sexualidade, política e mesmo realidade, tornam-se transparentes, simulados, e perdem sua função original.
Baudrillard argumenta que o mal não desapareceu — ele se dissolveu em transparência. O que isso significa? Que vivemos num mundo onde tudo está exposto, visível, acessível, mas sem densidade, sem alteridade, sem confronto verdadeiro. A ilusão de total visibilidade esvazia o conflito e a tensão que caracterizavam a diferença entre bem e mal, natural e artificial, verdadeiro e falso.
A noção de transparência é usada por Baudrillard para denunciar essa saturação de signos, imagens e simulações que tornam impossível qualquer oposição real. O mal não está mais oculto, mas tornou-se banal, integrado ao cotidiano, visível e mesmo desejável — mas esvaziado de sua potência disruptiva.
- Extinção das diferenças
– Os opostos (bem/mal, feio/belo, masculino/feminino) não se enfrentam mais. Eles coexistem na indiferença, como versões de um mesmo simulacro. - Fenômenos extremos
– A sociedade busca intensidades extremas (no corpo, na arte, na política), mas estas já não produzem ruptura — são absorvidas pelo sistema como mais uma mercadoria. - A pornografia da realidade
– A exposição total dos corpos, dos sentimentos, das verdades — como nas mídias sociais e reality shows — é vista como pornografia do real. Nada mais é ocultado, e isso anula o mistério, a sedução, o mal. - Arte pós-histórica
– A arte perde sua função crítica e passa a simular a própria ideia de arte. Tudo pode ser arte, e por isso nada mais é arte no sentido clássico. - Desaparecimento do político
– A política não representa mais escolhas reais, mas sim encenações: uma simulação do debate, em que os conflitos reais são neutralizados.
Trecho Representativo
“A transparência do mal é sua dissolução na forma, sua reversibilidade, sua equivalência, sua indiferença. O mal, como o bem, torna-se transparente pela saturação de sentido, de visibilidade e de comunicação. Tudo deve ser visto, tudo deve ser dito, tudo deve circular — e assim nada mais perturba.”
A obra antecipa, com precisão inquietante, muitos fenômenos da cultura digital contemporânea:
- A superficialidade das redes sociais
- O esvaziamento das diferenças políticas
- A banalização da violência e da sexualidade
- A estetização de tudo, inclusive do sofrimento
- A “fetichização” da transparência (na política, nas empresas, nas relações)
Baudrillard não escreve como um moralista ou um nostálgico da verdade perdida. Ele aponta o paradoxo de uma sociedade hipermoderna onde o excesso de visibilidade apaga a própria realidade.
Minhas anotações do livro
A água não tem memória estética,
Trans economia / Transsexual/ Trans estética / Transversal.
(Pag).
(41) -“É possível falar ainda em “economia”? A Atual não tem o mesmo sentido da análise clássica Marxista. Porque seu motor já não é mais a infraestrutura da produção material nem a superestrutura; é a desestruturação do valor, é a desestabilização dos mercados e das economias reais, é o triunfo de um economês despido da Economia e entregue à especulação pura, de uma economia virtual despida das economias reais, de uma economia viral que assim encontra todos os processos virais. É como lugar de efeitos especiais, de acontecimentos imprevisíveis, de jogo irracional que ela volta a se o teatro exemplar da atualidade.”
(49)-“O vírus teste pode tornar-se um vírus devastador”.
(51)- “É o homem que perdeu sua própria sombra: ou ele se tornou transparente à luz que o atravessa, ou então está iluminado de todos os lados, superexposto sem defesa a todas as fontes de luz. Estamos iluminados de todos os lados pelas técnicas, pelas imagens, pela informação, sem poder refratar essa luz, e estamos condenados a uma atividade branca, a uma socialidade branca, ao embranquecimento dos corpos como do dinheiro, do cérebro e da memória, a uma assepsia total.”
(53)-” O fazer acontecer, em antecipação a espontaneidade de fazer apenas.”
(60)- “ A inteligência artificial é uma máquina celibatária.”
(73)- “Toda a sociedade vive contra seu próprio sistema de valores”
(74)- “A ordem produz catástrofe.”
(77)-“Ora a velocidade é maravilhosa, só o tempo é enfadonho.”
(82) “O riso é uma ab-reação vital à aversão que nos inspira uma situação de mistura ou de promiscuidade monstruosa. Temos vontade de vomitar a indiferença, mas ao mesmo tempo ela é fascinante. Gostamos de misturar tudo, mas ao mesmo tempo nos repugna. Reação VIRAL pela qual o organismo preserva sua integridade simbólica, até o custo da própria vida. (rejeição no transplante de coração). Por que os corpos não se recusariam à troca indiferente de órgãos e células? E por que elas se recusam, no câncer, à função que lhes atribuem.?”
(84) “Terrorismo=> súbita cristalização de violência em suspenso. Resultantes das forças ociosas e indiferentes.”
(86)-“Guerra civil INTESTINA.”
(88) – “Torcida expulsa do jogo. A trans política, expulsa o povo da plateia, transforma a política em um acontecimento televisual. Todo o referente deve desaparecer para que o acontecimento seja aceitável na tela mental da televisão.”
(108)- “Qualquer processo linear quanto acelerado, adota uma curva estranha que é a da catástrofe.”
(113) – “O teorema da parte maldita”
(117)-“A teoria só pode ser isso: Uma armadilha preparada na esperança de que a realidade seja suficientemente ingênua para se deixar apanhar.”
(124)-“É assim que se põe fim à totalidade. Se toda a informação se encontra em cada uma de suas partes, o conjunto perde o sentido.”
(133)- “O computador não tem outro. É por isso que ele não é inteligente. Porque a inteligência sempre nos vem do outro.”
(135) –“Pois a diferença é uma utopia. ( é a mesma coisa para a distinção do Bem e do Mal: é um sonho separá-los e uma utopia ainda mais fantástica querer reconcilia-los).
(140) – “Os índios são mais cristãos que os cristãos.”
(144) – “A regra das línguas belas, estranhas umas as outras.”
(149) – “Lei x Regra.”
(150) – “O canibalismo nada mais é que uma forma extrema de relação com o outro, inclusive no amor, uma forma de hospitalidade radical.”
(159) – “As mulheres sedutoras são as mais estranhas a elas mesmas.”
(178)- “Somos capazes de ver apenas o que foi visto. Delegamos a máquinas a cuidado de ver por nós, como em breve deixaremos aos computadores o cuidado de decidir.”
(181)- “Todos os nossos autômatos, nossas máquinas artificiais, nossas técnicas não são, no fundo, uma grande afetação?”
(184) – “O selvagem, não responde ao diálogo. Não respeita a indiferença e se vinga por ter sido “compreendido”, destruído, por sua vez do edifício científico.”
(185) –“O OUTROM é que me dá a possiblidade de não me repetir ao infinito.”
Oque ficou desta leitura.
A observação na sociedade dos efeitos das tecnologias atuais, em descompasso com os fenômenos naturais, especialmente com a exposição a realidades virtuais e inimagináveis e irreais. Nos eleva a seres irreais e imaginativos e relativistas. No entanto somos seres biológicos que morremos, e que nosso organismo biológico que nos mantem vivos obedecem às leis dos homens, porém as regras de natureza. Todos estes elementos criam crises imaginarias e fluxos inexistentes que nos assustam. Foi muito bom tem conhecido novas formas de pensamentos, reais, que ajudam a me sintonizar com pensadores geniais.
Agradeço ao Padre Zezinho, que indicou este autor e mencionou sua importância e relevância.
Uma gratidão eterna ao acaso que me levou a este novo patamar de pensamento.
Bauru 04/05/2025 – 19:59.
Jose Orlando Witzler
*Pesquisa na internet.

