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A liberdade é um potencial.

Liberdade em Risco: Como Estamos Secando a Represa do Pensamento

Costuma-se dizer que somos livres porque podemos escolher. Mas essa é uma meia verdade confortável. A liberdade real não começa na escolha  começa muito antes dela. A liberdade é, antes de tudo, um potencial, um espaço interno onde ideias se acumulam como água retida numa grande represa. É ali que mora a verdadeira força da vida humana.

Só que estamos secando esse reservatório.

A represa e o pensamento: uma metáfora que dói

Imagine uma hidrelétrica:

  • a água represada é a potência latente;
  • a água passando pelas comportas vira energia útil, força capaz de mover o mundo.

O pensamento funciona da mesma forma.
Uma mente livre acumula possibilidades.
Uma mente oprimida perde energia.

Quando se vigia, se pune ou se desconfia do pensamento, o reservatório baixa.
Sem acúmulo, não há vazão.
Sem vazão, não há potência.
Sem potência, não há transformação.

Em outras palavras: oprimir a liberdade de pensar é desligar a usina da humanidade.

O perigo de transformar potencial em suspeita

Estamos entrando numa era em que a intenção já é tratada quase como crime.
Não é preciso agir: basta sugerir, pensar alto, questionar ou imaginar fora da cartilha. A suspeita substitui a análise, e a presunção vira ferramenta política.

Quando a sociedade começa a vigiar não o ato, mas o potencial, ela está cruzando uma linha perigosa: o controle não recai sobre o comportamento, mas sobre a consciência. E uma consciência vigiada é uma consciência esvaziada.

O que nasce daí não é segurança  é conformismo.

A monotonia produzida pelos algoritmos

Vivemos tempos em que tudo tende à uniformidade. Plataformas decidem o que devemos ver, ler, ouvir, desejar e até pensar. O fluxo é contínuo, previsível, sem arestas.

A sociedade inteira escorre como água morna em ladeira abaixo.

Num ambiente assim, não há espaço para grandes atos  porque não há energia acumulada para gerar rupturas. Os algoritmos fazem o trabalho que antes só regimes autoritários sonhavam fazer: conduzem o pensamento sem parecer conduzi-lo, definem rotas mentais enquanto vendem a ilusão de autonomia.

O resultado é uma humanidade anestesiada, repetitiva, perfeitamente funcional para sistemas que preferem previsibilidade à liberdade.

Redes sociais: vitrines polidas que escondem comportas fechadas

As redes sociais se apresentam como “espaços de expressão”, mas se comportam cada vez mais como comportas rígidas que decidem o que passa e o que fica represado.

Quando se bloqueia uma ideia, direciona-se um pensamento.
Quando se direciona um pensamento, drena-se o potencial.
Quando se drena o potencial, mata-se a liberdade.

E o mais perverso é que tudo isso se faz em nome da “proteção”, da “verdade oficial” ou do “bem comum”. A mesma justificativa usada por todas as estruturas de controle ao longo da história.

A ilusão de que podemos nos esconder

Há ainda o outro lado: a vigilância constante.
Vivemos com a sensação de que estamos sempre sendo observados: pelas plataformas, pelos governos, pelos dispositivos, pelos sensores, pelas estatísticas.
Não somos vigiados apenas no que fazemos, mas no que podemos vir a fazer.

Esse monitoramento sobre o potencial humano é uma das maiores ameaças silenciosas do século.

O que está em causa agora

A questão que deveria pautar o debate público hoje é simples e urgente:

Como preservar o reservatório de liberdade mental em uma época que tenta esvaziá-lo antes mesmo que possamos abrir as comportas?

Sem esse reservatório, a humanidade perde seu impulso criativo, moral e espiritual. Perde a capacidade de ruptura, de reinvenção e de renovação. Perde a energia necessária para os grandes atos.

E o que resta é apenas um fluxo suave, previsível, domesticado — a antítese da vida.

Conclusão: devolver água à represa

Resgatar o potencial da liberdade é o desafio central do nosso tempo.
Não se trata apenas de defender o direito de agir, mas de proteger o direito de pensar antes de agir. O direito de refletir, imaginar, discordar, especular e errar.

É preciso devolver água ao reservatório.
Porque sem acúmulo interior, não há energia para mover o mundo.

E a liberdade, quando reduzida a uma pequena fileira de comportas controladas por algoritmos, deixa de ser liberdade  e se torna apenas fluxo condicionado.

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José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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