A sua verdadeira identidade está na descoberta simples de quem você deve amar. São pessoas, seres humanos próximos não distantes que definem a sua existência. Reconhecê-los e viver esse amor no outro é, de fato, encontrar a si mesmo e justificar a própria vida. Viver passa a ser uma descoberta cotidiana nesses encontros aparentemente casuais.
Há um equívoco silencioso na ideia de que o sentido da vida se encontra longe. Como se estivesse sempre além, no futuro, em alguma grande realização. O sentido não habita a distância. Ele se revela na proximidade, na permanência, no encontro.
Essa lógica não vale apenas para a vida pessoal. Ela se estende, com a mesma força, ao mundo das organizações.
Uma empresa, para existir de verdade, precisa ser amada.
Amada por aquilo que entrega ao mundo. Amada por seus produtos e serviços, não apenas por sua eficiência, mas pelo sentido que carregam. O cliente não retorna apenas porque compra; ele retorna porque reconhece valor, cuidado, coerência. O amor do cliente nasce da experiência de ser respeitado.
Da mesma forma, os funcionários precisam sentir-se amados pela empresa. Não como discurso institucional, mas como prática cotidiana. Uma organização que não cuida das pessoas que a sustentam se esvazia por dentro. Não há engajamento verdadeiro onde não há reconhecimento.
E os colaboradores, por sua vez, precisam amar a empresa em que trabalham. Não por submissão, mas por pertencimento. Amar uma empresa é identificar-se com seu propósito, sentir-se parte de algo que faz sentido. Quando isso acontece, o trabalho deixa de ser apenas função e passa a ser contribuição.
O sucesso empresarial, portanto, não se mede apenas por indicadores financeiros. Ele se revela na qualidade das relações que circulam dentro e fora da organização. A máxima empresarial não está apenas no lucro, mas na percepção clara de que o amor está em fluxo.
Onde há amor em fluxo, há confiança.
Onde há confiança, há continuidade.
Onde há continuidade, há futuro.
Uma empresa saudável é aquela onde o amor circula entre produto, cliente, colaborador e comunidade. Esse fluxo é perceptível. Ele se sente no atendimento, na cultura interna, na reputação construída ao longo do tempo.
Nesse sentido, o Estado enquanto observador e regulador deveria ser capaz de perceber esse fluxo. Não apenas fiscalizar números, mas reconhecer organizações que geram valor humano real. Empresas que produzem mais do que resultados: produzem vínculos, estabilidade social e sentido econômico.
O mercado, quando saudável, é um campo de relações humanas antes de ser um campo de disputas. Ele prospera quando o amor entendido como responsabilidade, cuidado e reconhecimento do outro não é eliminado da equação.
No fim, a lógica se mantém a mesma, seja na vida pessoal ou na vida empresarial:
descobrimos quem somos quando descobrimos a quem escolhemos amar.
E nenhuma organização sobrevive por muito tempo sem responder, com verdade, a essa pergunta.

