sexta-feira, 20 fevereiro 26

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A apofenia humana.

“As coincidências não são nada.”


A frase pode soar dura à primeira vista, quase como se negasse a poesia que às vezes enxergamos na vida. Mas ela não nega o Mistério; ela apenas alerta contra um equívoco comum: o de transformar ocorrências isoladas em sinalizações de destino.
Há uma infantilidade sutil  mas profunda  quando uma pessoa vive guiada pela crença de que tudo o que acontece ao redor é mensagem. Quando cada encontro inesperado, cada frase escutada por acaso, cada objeto encontrado na rua, passa a ser interpretado como um código secreto do universo.

Esse tipo de leitura do mundo, apesar de parecer espiritual, na verdade é desespiritualizada.
Porque parte de um pressuposto errado: Deus estaria escondido, se comunicando por enigmas, charadas, recados cifrados e pequenas acrobacias do cotidiano.

Mas não é assim.
O sagrado não brinca de charadas.

Quando alguém fundamenta sua vida em coincidências, o que temos é menos espiritualidade e mais ansiedade vestida de mística.
É uma tentativa desesperada de dar sentido a um mundo interno desorganizado.

Na estatística, chamamos isso de apofenia  a tendência humana de ver padrões onde não existem.
Nas probabilidades, chamamos de ruído  eventos aleatórios que não possuem relação causal entre si.

Quando a vida é guiada por essas interpretações, ela deixa de ser construída e passa a ser reagida.
E quem reage ao acaso não conduz o próprio barco  apenas deriva.

O alerta aqui é amoroso, não acusador:

Não se iluda.
O fluxo da vida não se estabelece por coincidências.

O amadurecimento espiritual passa pelo entendimento de que Deus se manifesta:

  • Na consciência desperta,
  • Nas escolhas responsáveis,
  • Na ética do cotidiano,
  • Na serenidade que cresce com o tempo.

Não em sinais aleatórios.

Quando alguém lhe disser que uma oportunidade surgiu “por coincidência”, respire.
Quando alguém narrar encontros improváveis como “destino”, pense.
Quando alguém usar o inesperado como justificativa para uma decisão repentina, tenha cautela.

Não porque o acaso seja maligno, mas porque ele é apenas acaso.
E o acaso pode ser uma armadilha elegante.

A verdadeira espiritualidade é menos espetáculo e mais discernimento.
É menos encantamento infantil e mais lucidez amorosa.

Acorde, irmão.
A sabedoria não está em colecionar sinais, mas em aprender a caminhar sem precisar deles.

Pesquisa/Jose Orlando Witzler

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José Orlando Witzler
José Orlando Witzler
Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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