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A Biblia é inerante.

A Declaração de Chicago (1978): o manifesto moderno sobre a autoridade da Bíblia

Em outubro de 1978, na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, ocorreu um encontro que se tornaria um marco importante na história do cristianismo contemporâneo. Mais de trezentos teólogos, pastores, acadêmicos e líderes religiosos reuniram-se para tratar de um tema que, naquele momento, provocava intensos debates: a natureza e a autoridade da Bíblia.

O resultado desse encontro foi um documento formal conhecido como Declaração de Chicago sobre a Inerrância Bíblica. Trata-se de um manifesto teológico que buscou responder a uma pergunta central da modernidade religiosa:

Até que ponto a Bíblia pode ser considerada verdadeira e confiável?

O contexto histórico do manifesto

O documento nasce num período específico da história intelectual do século XX.

Nas décadas de 1960 e 1970, a teologia cristã enfrentava profundas transformações. A crítica bíblica acadêmica, o avanço das ciências históricas e arqueológicas, e o crescimento do pensamento secular levaram muitos estudiosos a questionar a ideia tradicional de que a Bíblia seria totalmente livre de erros.

Ao mesmo tempo, dentro do protestantismo norte-americano, crescia a preocupação de que a autoridade das Escrituras estivesse sendo relativizada.

Foi nesse cenário que surgiu o International Council on Biblical Inerrancy (ICBI) — o Conselho Internacional sobre Inerrância Bíblica — responsável por organizar a conferência de Chicago.

O objetivo era claro: estabelecer uma definição precisa, sistemática e consensual sobre o que significava afirmar que a Bíblia é “inerrante”.

Quem participou e assinouO encontro reuniu representantes de diversas denominações protestantes evangélicas. Entre os nomes mais conhecidos estavam teólogos como:

  • J. I. Packer
  • R. C. Sproul
  • Norman Geisler
  • Francis Schaeffer
  • Carl F. H. Henry

Esses participantes pertenciam majoritariamente ao campo evangélico conservador, e o documento reflete esse contexto teológico específico.

É importante observar que:

  • O manifesto não representa todas as igrejas cristãs
  • Não foi um concílio universal
  • Trata-se de um posicionamento doutrinário de uma corrente específica do protestantismo

Como ocorreu a elaboração

Durante o encontro, os participantes trabalharam coletivamente em um texto estruturado em três partes:

  1. Uma introdução explicativa
  2. Uma declaração resumida
  3. Um conjunto de 19 artigos doutrinários

Cada artigo foi formulado em duas partes: uma afirmação e uma negação, método clássico de definição teológica.


Os 19 artigos comentados

A seguir, uma síntese interpretativa do conteúdo desses artigos.

1. Autoridade divina

A Bíblia é reconhecida como Palavra de Deus, possuindo autoridade suprema.

2. Inspiração total

Toda a Escritura é considerada inspirada, não apenas partes selecionadas.

3. Autoridade abrangente

Seu ensino não se limita à espiritualidade, mas se estende ao que afirma como verdade.

4. Linguagem humana

Reconhece que a Bíblia foi escrita em linguagem humana comum.

5. Unidade interna

Afirma que a Escritura forma um conjunto coerente.

6. Inspiração plenária

A inspiração abrange cada parte do texto original.

7. Autores humanos reais

Os escritores bíblicos mantiveram personalidade e contexto históricos.

8. Uso de fontes

Admite a utilização de testemunhos e pesquisas humanas.

9. Confiabilidade histórica

Sustenta que os relatos bíblicos são historicamente confiáveis.

10. Manuscritos originais

A inerrância refere-se aos textos originais.

11. Preservação textual

Afirma que o conteúdo essencial foi preservado ao longo do tempo.

12. Linguagem fenomenológica

Permite expressões populares e figurativas.

13. Gêneros literários

Reconhece diferentes estilos literários dentro da Bíblia.

14. Correspondência com a realidade

A Escritura não erra no que pretende afirmar.

15. Interpretação responsável

Exige análise contextual adequada.

16. Autoridade sobre a tradição

A Bíblia é colocada acima das instituições humanas.

17. Testemunho espiritual

Afirma a atuação do Espírito Santo na compreensão do texto.

18. Finalidade salvadora

O propósito principal é revelar Deus e orientar a salvação.

19. Rejeição do relativismo

Rejeita a ideia de que existam erros doutrinários na Escritura.

A recepção e a evolução do debate

Desde sua publicação, a Declaração de Chicago tornou-se uma referência importante no mundo evangélico. Ela influenciou seminários teológicos, confissões de fé e o ensino religioso em diversas regiões.

No entanto, sua aceitação não foi uniforme.

No protestantismo histórico

Muitas correntes mantiveram uma posição intermediária, enfatizando a inspiração bíblica, mas sem adotar a inerrância literal.

No catolicismo

A Igreja Católica já havia desenvolvido, especialmente após o Concílio Vaticano II (1965), uma abordagem distinta.

A constituição Dei Verbum afirma que a Bíblia ensina “sem erro a verdade que Deus quis comunicar para nossa salvação”, destacando o sentido teológico e não necessariamente literal.

Nas últimas décadas, observa-se uma retomada do interesse católico pela centralidade das Escrituras, com crescente incentivo à leitura bíblica e à teologia bíblica.

Tendências contemporâneas

No cenário atual, algumas mudanças são perceptíveis:

Retomada da teologia bíblica no catolicismo

Há maior valorização do estudo das Escrituras, com abordagem histórica e pastoral.

Recuo de certas leituras neopentecostais

Em alguns contextos, nota-se um deslocamento do foco exclusivo em interpretações imediatistas ou utilitárias da Bíblia para uma redescoberta de sua dimensão histórica e teológica.

Ampliação do diálogo acadêmico

Hoje, o debate sobre inspiração e autoridade bíblica ocorre em ambiente mais plural, envolvendo teologia, história e ciências humanas.

Considerações finais

A Declaração de Chicago de 1978 representa um momento específico da história religiosa moderna: um esforço sistemático de reafirmar a autoridade da Bíblia diante dos desafios intelectuais do século XX.

Seu impacto foi significativo dentro do protestantismo evangélico, mas também contribuiu para ampliar o debate teológico global sobre a natureza das Escrituras.

No presente, observa-se um cenário mais complexo e diversificado. Diferentes tradições cristãs convergem em reconhecer a centralidade da Bíblia, embora mantenham interpretações distintas sobre sua inerrância e autoridade.

Nesse sentido, o manifesto de Chicago permanece como um documento histórico relevante — não como ponto final do debate, mas como uma das etapas de uma reflexão contínua sobre fé, texto e tradição ao longo do tempo.

PS:- O tema é relevante e muito importante para nós cristãos. A provocação resultou neste texto elaborado com as minhas instruções pelo sistema de inteligencia artificial de pesquisa do sistema.

Jose Orlando Witzler ( 16/02/26)

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Eu sou eu . Você é você . Eu só consigo ser eu se você for você. Você só conseguira ser você se eu for eu. Ai nós conseguimos conversar. Esta é a intensão deste trabalho. Jose Orlando Witzler. Geração 1961. Engenheiro. Empresário. Pai de família. Observando solitariamente de um farol distante. Sinalizando por este humilde blog.

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